Dados e Performance14 de outubro de 20265 min de leitura

Quanto do tempo da sua equipe vai para o que não gera receita?

O relatório mostra quantos atendimentos a equipe fez. Não mostra quantas horas foram para orçamento e quantas foram para responder horário, preparo e resultado.

Eduardo Vilela Heimer
Eduardo Vilela Heimer

Co-fundador da Vertik

Painel de gestão de laboratório mostrando a distribuição das horas da equipe de atendimento por tipo de demanda, com destaque para orçamento e agendamento
O total de atendimentos esconde para onde as horas da equipe realmente vão.

Pergunte a um gestor de laboratório quanto do dia a equipe dedica a orçamento e a resposta costuma vir em percepção: "boa parte", "acho que a maior parte". O relatório de atendimento traz volume e tempo médio, mas não mostra para onde as horas vão.

A causa é simples. O tempo da equipe não é medido por tipo de demanda.

O dia da atendente deixa isso visível para quem acompanha de perto. Ela abre o turno com as mensagens acumuladas da noite, responde horários, envia preparos, procura resultados. Às 11h, ainda não abriu os orçamentos que chegaram cedo. No fim do dia, o sistema registra 120 atendimentos, um número que parece produtividade.

O total esconde a composição. Cento e vinte atendimentos podem ser cem respostas repetitivas e vinte orçamentos conduzidos às pressas, no intervalo entre uma pergunta e outra.

Sem enxergar essa composição, as decisões sobre a equipe são tomadas sobre o número errado. O laboratório contrata para dar conta do volume, escala gente para o horário de pico e compara atendentes pelo tempo médio, sem saber que boa parte do esforço está indo para demandas que não colocam nenhum exame na agenda.

Medir quanto do tempo vai para cada tipo de atendimento não exige sistema novo. Exige um método, uma semana de registro e a disposição de olhar para um número que costuma incomodar.

Por que o relatório de atendimento não mostra para onde vai o tempo

As métricas mais usadas no call center de laboratório agregam tudo em um único número.

O volume de atendimentos soma a pergunta de trinta segundos e o orçamento de quinze minutos como se fossem a mesma coisa. Uma equipe que responde muitas dúvidas rápidas aparece como mais produtiva do que uma que conduz menos orçamentos com cuidado.

O tempo médio de atendimento comete o erro inverso. Ele mistura tipos de demanda com durações completamente diferentes e devolve uma média que não descreve nenhum deles. Pior: a atendente que dedica mais tempo aos orçamentos tem tempo médio mais alto e parece menos eficiente.

Nenhuma das duas métricas responde à pergunta que importa para a receita: quanto do tempo da equipe vai para os atendimentos que geram receita?

Essa resposta só aparece quando o tempo é separado por tipo de demanda. E é justamente essa separação que quase nenhum laboratório faz.

Como medir o tempo da equipe por tipo de demanda

O método cabe em uma semana e usa informação que o laboratório já tem: as próprias conversas.

Como medir quanto tempo a equipe gasta com cada tipo de atendimento:

  • Definir os tipos de demanda. Dúvida operacional, orientação de preparo, consulta de resultado, dúvida de convênio, orçamento, agendamento e reclamação. Sete categorias cobrem quase toda conversa do WhatsApp do laboratório.
  • Classificar uma semana de conversas. Cada conversa recebe um tipo, pela demanda principal. Uma planilha simples com data, canal e tipo já resolve.
  • Cronometrar uma amostra de cada tipo. Dez conversas por tipo bastam para chegar a um tempo médio confiável. O tempo conta do momento em que a atendente pega a conversa até o desfecho.
  • Calcular as horas por tipo. Multiplicar o número de conversas pelo tempo médio de cada tipo e dividir por 60.
  • Separar o que gera receita. Somar as horas de orçamento e agendamento e comparar com o total. Esse percentual é o número que importa.

A fórmula de cada linha é direta:

Horas por tipo = conversas do tipo na semana × tempo médio por conversa ÷ 60

O resultado não precisa ser perfeito. Uma estimativa honesta de uma semana já mostra a proporção, e é a proporção que orienta a decisão.

Como ler o resultado

Um exemplo hipotético ajuda a enxergar o que costuma aparecer. Os valores abaixo são ilustrativos, para mostrar o método, e não representam a média do setor.

Tipo de demanda Conversas na semana Tempo médio Horas na semana Parte do tempo
Dúvida operacional3502 min11,7 h13%
Orientação de preparo2204 min14,7 h16%
Consulta de resultado2004 min13,3 h15%
Dúvida de convênio1206 min12,0 h13%
Orçamento15010 min25,0 h27%
Agendamento1006 min10,0 h11%
Reclamação ou problema2512 min5,0 h5%
Total1.16591,7 h100%

Nesse exemplo, orçamento e agendamento somam 35 horas, cerca de 38% do tempo da equipe. As quatro demandas repetitivas somam quase 52 horas, cerca de 56%.

Essas 52 horas valem uma leitura à parte. Elas passam da jornada semanal de uma atendente em tempo integral. Na prática, o laboratório do exemplo tem mais de uma pessoa inteira dedicada a responder perguntas com resposta conhecida.

A tabela também revela o que a média escondia. O orçamento é o atendimento que mais consome tempo por conversa, e isso não é um problema: é onde a condução da atendente muda o resultado. O problema seria o orçamento receber pouco tempo porque a fila está cheia de dúvidas.

O que fazer com o número

O percentual de tempo dedicado ao que gera receita vira uma referência para três decisões.

A primeira é a ordem da fila. Se o orçamento divide a fila com perguntas de horário, ele espera. Separar os orçamentos e agendamentos e dar prioridade a eles muda a distribuição do tempo antes de qualquer outra mudança.

A segunda é o que tirar da equipe. As horas gastas com dúvida, preparo, resultado e convênio padronizável são o volume que a IA absorve, porque a resposta depende de informação correta e não de julgamento. No exemplo, são mais de cinquenta horas semanais que voltariam para orçamento, agendamento e reclamação.

A terceira é como medir dali para frente. Repetir a medição todo mês mostra se a parte do tempo que vai para receita está crescendo. Com IA no atendimento, essa medição deixa de depender de planilha: cada conversa já fica registrada com o tipo de demanda, e o gestor acompanha a proporção sem precisar montar a tabela à mão.

A decisão mais importante, porém, vem antes de qualquer ferramenta. É olhar o número pela primeira vez. A maioria dos gestores que faz essa conta descobre que a equipe está ocupada com o lado errado do atendimento.

Este post faz parte do Guia completo de métricas de atendimento para laboratórios.

Sem saber quanto do tempo vai para orçamento e agendamento, o laboratório contrata, escala e cobra a equipe com base em um total que mistura o que gera receita com o que não gera. A decisão parece técnica, mas está apoiada no número errado.

Que parte do tempo da sua equipe foi para orçamento e agendamento na última semana? Se essa resposta não existe, a distribuição do esforço está sendo decidida pela ordem de chegada das mensagens.

A Luma assume as dúvidas, os preparos e os resultados e registra cada atendimento por tipo de demanda, para que o gestor veja onde a equipe está gastando o tempo e quanto dele vai para o que gera receita.

Quer ver como isso funcionaria no seu laboratório?

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