Gestão de Call Center24 de setembro de 20265 min de leitura

Como montar a escala do call center do laboratório sem gerar fila nem ociosidade

A maioria dos laboratórios dimensiona a equipe pela média do dia. A média esconde o pico. E o pico é onde o paciente desiste.

Eduardo Vilela Heimer
Eduardo Vilela Heimer

Co-fundador da Vertik

Painel de gestão de call center de laboratório mostrando gráfico de volume de atendimentos por hora com indicação de picos e capacidade de equipe alocada
A média do dia esconde o pico. E o pico é onde o paciente desiste.

O gestor olha para o volume mensal de atendimentos, divide pelos dias úteis, divide pelas horas de operação e chega a um número. Com esse número, define quantos atendentes precisa. A conta fecha no papel.

Na prática, não fecha.

Porque o volume não chega distribuído de forma uniforme ao longo do dia. Chega concentrado em horários específicos, previsíveis e recorrentes. E a escala montada pela média deixa o pico descoberto e o vale com equipe ociosa.

O resultado é o pior dos dois mundos: fila nos horários de maior movimento e custo de equipe parada nos horários vazios. O gestor paga por capacidade que não usa e perde paciente nos momentos em que mais precisaria de capacidade.

Montar a escala certa não exige mais gente. Exige olhar o volume por hora em vez de olhar a média do dia.

Por que a escala pela média não funciona no call center de laboratório

O laboratório tem padrão de demanda previsível. O paciente que precisa fazer exame em jejum liga cedo. O que quer agendar depois do trabalho liga no fim da tarde. O que recebeu o pedido médico durante a consulta liga no meio da manhã.

Esse padrão se repete toda semana, com pequenas variações. E ele é radicalmente diferente da distribuição uniforme que a média sugere.

Um laboratório que recebe 300 contatos por dia em 10 horas de operação tem média de 30 contatos por hora. Se a escala é montada para 30 contatos por hora, a operação parece dimensionada.

Mas o volume real pode ser de 70 contatos entre 7h e 9h, 40 entre 9h e 11h, 15 entre 11h e 14h e 50 entre 16h e 18h. A média de 30 nunca acontece de verdade em nenhuma hora do dia.

No pico das 7h às 9h, a equipe dimensionada para 30 contatos por hora está recebendo mais que o dobro. A fila cresce, o tempo de espera dispara, a taxa de abandono sobe. No vale das 11h às 14h, a mesma equipe está com metade da capacidade ociosa.

O gestor que olha apenas a média não enxerga nenhuma dessas duas situações. Vê que a equipe está dimensionada corretamente e que o problema deve ser desempenho individual ou dia atípico.

O que mapear antes de montar a escala

Escala baseada em dado exige levantamento prévio. O bom é que esse levantamento não precisa de sistema sofisticado.

O que mapear antes de definir a escala do call center:

  • Volume por hora, por dia da semana. Quantos contatos chegam em cada faixa de horário. Segunda tem padrão diferente de sexta. O mapeamento precisa capturar essa variação, não apenas a média semanal.
  • Volume por canal em cada horário. O telefone pode concentrar em horário comercial enquanto o WhatsApp distribui ao longo do dia e recebe mensagens fora do expediente. Cada canal tem sua curva.
  • Tempo médio de atendimento por tipo de demanda. Agendamento consome menos tempo que orçamento com múltiplos exames. Saber o mix de demanda por horário permite calcular a capacidade real necessária, não apenas o número de contatos.
  • Taxa de abandono por faixa de horário. Onde os pacientes estão desistindo? A taxa de abandono por hora revela exatamente em qual momento a capacidade está abaixo da demanda.
  • Sazonalidade mensal e anual. Início de mês tem padrão diferente de fim de mês. Janeiro é diferente de julho. Períodos de campanha de saúde geram picos previsíveis que podem ser antecipados na escala.

Esse mapeamento pode ser feito com duas semanas de registro manual se o laboratório não tem sistema que extraia os dados automaticamente. Duas semanas já revelam o padrão.

Como calcular a capacidade necessária por faixa de horário

Com o mapeamento em mãos, o cálculo de capacidade é direto.

A fórmula básica é: número de atendentes necessários = (contatos na hora × tempo médio de atendimento em minutos) / 60.

Se o laboratório recebe 70 contatos entre 7h e 8h e o tempo médio de atendimento é de 6 minutos, a conta é: 70 × 6 = 420 minutos de atendimento necessários. Dividido por 60 minutos, o resultado é 7 atendentes para dar conta sem fila.

Esse cálculo precisa de dois ajustes.

O primeiro é o fator de ocupação. Nenhum atendente atende 100% do tempo. Existe pausa, registro pós-atendimento, banheiro, consulta de informação. O fator de ocupação realista fica entre 70% e 85%. Com 80% de ocupação, os 7 atendentes do exemplo viram aproximadamente 9.

O segundo é a margem para variação. O volume de 70 contatos é a média daquele horário, mas alguns dias terão 85. Escala sem margem quebra nos dias de pico. Uma margem de 10% a 15% acima do calculado absorve a variação normal.

Com os dois ajustes, o dimensionamento fica realista e sustentável.

Como montar a escala sem aumentar o custo total

O objetivo não é contratar mais gente. É distribuir a capacidade existente de forma que acompanhe a curva de demanda.

Turnos escalonados. Em vez de toda a equipe entrar às 7h e sair às 17h, escalonar as entradas. Parte entra às 7h para cobrir o pico da manhã. Parte entra às 10h e sai às 19h para cobrir o pico do fim de tarde. A mesma equipe cobre uma janela maior sem hora extra.

Reforço nos picos com jornada reduzida. Contratar atendentes com jornada de 4 ou 6 horas exclusivamente para os horários de pico custa menos que contratar jornada integral e resolve o gargalo onde ele existe.

Realocação de tarefas no vale. Nos horários de menor volume, a equipe pode executar tarefas que não dependem de atendimento em tempo real: follow-up de orçamentos pendentes, confirmação de agendamentos do dia seguinte, atualização de cadastros. A capacidade ociosa vira produtividade.

Automação do que chega fora do horário. O paciente que manda mensagem às 21h não precisa esperar até as 7h para receber informação básica. Automatizar as respostas de horário, preparo e prazo elimina o acúmulo de mensagens que a equipe encontra ao chegar.

Revisão mensal da escala. O padrão de volume muda ao longo do ano. Escala definida em janeiro pode estar desalinhada em junho. Revisar mensalmente com os dados do mês anterior mantém o dimensionamento calibrado.

Essas cinco alavancas permitem cobrir os picos sem aumentar proporcionalmente o custo. O que muda é a distribuição, não o tamanho da folha.

Este post faz parte do Guia completo de call center para laboratórios.

Cada hora de pico com equipe subdimensionada é uma hora em que pacientes desistem antes de ser atendidos. Cada hora de vale com equipe ociosa é custo sem retorno. Os dois acontecem no mesmo dia, na mesma operação, e a média do mês esconde os dois.

Você sabe qual é o horário de maior volume do seu laboratório? Sabe qual é a taxa de abandono nesse horário específico? Se essas respostas não existem, a escala está sendo definida por média, não por demanda.

A Luma absorve o volume repetitivo nos horários de pico e entrega ao gestor a leitura de volume por hora e por canal, permitindo dimensionar a equipe com dado em vez de média.

Quer ver como isso funcionaria no seu laboratório?

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